Eu luto todos os dias contra os meus próprios preconceitos.
Luto fervorosamente contra o meu comodismo e contra esse desejo absurdo de ter coisas e de me esconder em um concha cercada por um status social.
É claro que eu nem sempre venço. Às vezes me desanima esse julgamento todo em cima do que as pessoas acham que eu deveria ter sido ou conquistado. Conquistei tantas coisas que terei para sempre e que definem o meu caráter de forma absoluta, mas ainda me cobram a fortuna antes dos trinta, as posses, a moda, o poder de mandar e ser admirado pelos outros em alguma instituição falida, ou de simplesmente aparecer na TV e desfrutar a fama absurda da imagem reproduzida.
Eu também me cobro isso de vez em quando. Mas aí bate aquela vergonha... Lembro que a maioria das pessoas não vai ler até aqui este pensamento e volto a questionar os valores rápidos e fugidios da humanidade. Então volto para mim, para os meus valores, para o que realmente me motiva.
Minha mãe me ensinou a não ser cruel com as pessoas, por mais certa que eu estivesse. Me ensinou a dar aquilo que gosto de receber, nunca as sobras ou migalhas para não perder o lado bom da ação (e esse lado não tem nada com ganhar, mas muito sobre dividir algo bom para os dois lados, quem faz e quem recebe).
Para mim, há algo de imoral na opulência, no consumo desmedido, na família patriarcal, na falta de (interesse na) cultura, nas amizades por interesse (o tal do "networking") e no conservadorismo.
Eu sou branca, de clase média, heterossexual, bem amada, sem nenhuma deficência física ou psicológica (pasmem!) aparente ou descoberta.
Bem poderia viver um mundinho egoísta, do tipo "fulano não tem o que eu tenho porque é vagabundo" ou "Eilke Batista é um grande homem!".
Mas me agride ser estúpida e escolher o mais fácil. E ser jornalista só ampliou essa percepção e tornou meu mundo mais difícil e contraditório, porque o certo raramente acontece por um curso suave.
Se fosse para escolher, queria ter tido mais gente de pele negra nos meus caminhos (eles são 40% da população, mas representaram pouco mais de 5% dos que passaram por mim na escola ou universidade ou trabalhos). Queria ter visto menos barro dentro das casas de favela, menos escuridão e falta de estrutura nos acampamentos em prol da reforma agrária, menos potencial nos jovens presos na Febem e mais bondade nos empresários bem sucedidos e nos novos compradores de "artigos de luxo". Queria que meus amigos e parentes pudessem entender como a arte pode nos levar ao "sublime" e como isso é mais importante que pão para formar um animal que pensa. Queria ter tido as mesmas oportunidades de um homem na minha profissão. Queria que a comida fosse algo mais difícil de conseguir para quem tem dinheiro e, assim, sobrasse menos no prato e menos embalagens fossem "escondidas" em aterros longe da Zona Sul.
E nada disso me faz ser comunista, ativista, feminista, intelectual ou qualquer outro rótulo usado para desmerecer ou engrandecer um discurso, pessoa ou crença.
Sou eu e só.
A piada racista me agride também. O roubo do dinheiro público, o jeitinho imoral que tira vantagem e faz a gente "se dar bem" me prejudica sempre em algum momento. O desmerecimento da mulher, do artista, do empregado, do pobre nos faz piores.
Por isso, mesmo que seja triste ver uma Imprensa tão ridícula em suas certezas e opiniões preconceituosas, é lindo ver um deputado lembrando a todos que "comer uma cabra" não é motivo de vangloriar-se e que sexualidade é algo pessoal e que deve ser respeitado.
Nós precisamos é de menos cerveja e futilidade e mais casais apaixonados - com a composição que tiverem. O ser humano é um ser social, precisa da aprovação, precisa do companheirismo para se realizar.
Não sejamos nós a negar isso. E se você veio até aqui neste meu texto emotivo e pessoal, deleite-se também com do deputado Jean Wyllys, que ao contrário de mim, prezou pela clareza de argumentação e pela defesa de um todo.
http://jeanwyllys.com.br/wp/veja-que-lixo
Luto fervorosamente contra o meu comodismo e contra esse desejo absurdo de ter coisas e de me esconder em um concha cercada por um status social.
É claro que eu nem sempre venço. Às vezes me desanima esse julgamento todo em cima do que as pessoas acham que eu deveria ter sido ou conquistado. Conquistei tantas coisas que terei para sempre e que definem o meu caráter de forma absoluta, mas ainda me cobram a fortuna antes dos trinta, as posses, a moda, o poder de mandar e ser admirado pelos outros em alguma instituição falida, ou de simplesmente aparecer na TV e desfrutar a fama absurda da imagem reproduzida.
Eu também me cobro isso de vez em quando. Mas aí bate aquela vergonha... Lembro que a maioria das pessoas não vai ler até aqui este pensamento e volto a questionar os valores rápidos e fugidios da humanidade. Então volto para mim, para os meus valores, para o que realmente me motiva.
Minha mãe me ensinou a não ser cruel com as pessoas, por mais certa que eu estivesse. Me ensinou a dar aquilo que gosto de receber, nunca as sobras ou migalhas para não perder o lado bom da ação (e esse lado não tem nada com ganhar, mas muito sobre dividir algo bom para os dois lados, quem faz e quem recebe).
Para mim, há algo de imoral na opulência, no consumo desmedido, na família patriarcal, na falta de (interesse na) cultura, nas amizades por interesse (o tal do "networking") e no conservadorismo.
Eu sou branca, de clase média, heterossexual, bem amada, sem nenhuma deficência física ou psicológica (pasmem!) aparente ou descoberta.
Bem poderia viver um mundinho egoísta, do tipo "fulano não tem o que eu tenho porque é vagabundo" ou "Eilke Batista é um grande homem!".
Mas me agride ser estúpida e escolher o mais fácil. E ser jornalista só ampliou essa percepção e tornou meu mundo mais difícil e contraditório, porque o certo raramente acontece por um curso suave.
Se fosse para escolher, queria ter tido mais gente de pele negra nos meus caminhos (eles são 40% da população, mas representaram pouco mais de 5% dos que passaram por mim na escola ou universidade ou trabalhos). Queria ter visto menos barro dentro das casas de favela, menos escuridão e falta de estrutura nos acampamentos em prol da reforma agrária, menos potencial nos jovens presos na Febem e mais bondade nos empresários bem sucedidos e nos novos compradores de "artigos de luxo". Queria que meus amigos e parentes pudessem entender como a arte pode nos levar ao "sublime" e como isso é mais importante que pão para formar um animal que pensa. Queria ter tido as mesmas oportunidades de um homem na minha profissão. Queria que a comida fosse algo mais difícil de conseguir para quem tem dinheiro e, assim, sobrasse menos no prato e menos embalagens fossem "escondidas" em aterros longe da Zona Sul.
E nada disso me faz ser comunista, ativista, feminista, intelectual ou qualquer outro rótulo usado para desmerecer ou engrandecer um discurso, pessoa ou crença.
Sou eu e só.
A piada racista me agride também. O roubo do dinheiro público, o jeitinho imoral que tira vantagem e faz a gente "se dar bem" me prejudica sempre em algum momento. O desmerecimento da mulher, do artista, do empregado, do pobre nos faz piores.
Por isso, mesmo que seja triste ver uma Imprensa tão ridícula em suas certezas e opiniões preconceituosas, é lindo ver um deputado lembrando a todos que "comer uma cabra" não é motivo de vangloriar-se e que sexualidade é algo pessoal e que deve ser respeitado.
Nós precisamos é de menos cerveja e futilidade e mais casais apaixonados - com a composição que tiverem. O ser humano é um ser social, precisa da aprovação, precisa do companheirismo para se realizar.
Não sejamos nós a negar isso. E se você veio até aqui neste meu texto emotivo e pessoal, deleite-se também com do deputado Jean Wyllys, que ao contrário de mim, prezou pela clareza de argumentação e pela defesa de um todo.
http://jeanwyllys.com.br/wp/veja-que-lixo
Nenhum comentário:
Postar um comentário